Flores que atravessam as estações

Texto por: Publicado em: 15 de outubro de 2026

Do inverno à primavera, a beleza da natureza encontra novas formas de permanecer.

A vida é feita de ciclos. Um termina e outro começa. Na natureza não é diferente. Cada estação revela sua própria beleza: ora em cores vibrantes, ora nos tons amarelados e avermelhados que surgem com os dias mais secos. Flores nascem, desabrocham, perdem o viço. E, quando parece que seu ciclo chegou ao fim, uma outra forma de beleza pode começar.

Na decoração, flores, folhas e galhos secos ganham uma nova existência, revelando outras possibilidades para a beleza da natureza quando a estação muda. Pela desidratação, cores intensas se transformam, surgem novas texturas e os tons ganham outras nuances. A delicadeza permanece, mas assume outra estética.

Foi durante a pandemia que Eleticia Oliveira descobriu o universo das flores secas e encontrou uma nova paixão. Há cinco anos trabalhando como florista, buscou aperfeiçoamento em cursos técnicos e aprendeu diferentes processos de secagem, tingimento e montagem de arranjos. Um trabalho que exige conhecimento e cuidado, já que cada espécie responde de uma maneira diferente ao processo de desidratação.

No começo, porém, havia mais curiosidade do que técnica. Eleticia conta que colhia praticamente tudo o que encontrava e recorria ao primeiro método que havia aprendido: a secagem no varal. Foi observando os resultados que começou a perceber que nem todas as espécies reagiam da mesma maneira. Algumas mantinham melhor a forma, outras perdiam a coloração; em determinadas flores, até a textura natural permanecia depois da desidratação.

Com o tempo, a experimentação deu lugar à seleção. Eleticia passou a escolher as espécies de acordo com o resultado pretendido e a utilizar diferentes técnicas de desidratação. O tempo de secagem varia e, mesmo depois que a flor perde a umidade, o processo pode continuar. Dependendo da espécie e do efeito desejado, entram etapas como o alvejamento e o tingimento, capazes de devolver ou transformar sua coloração.

Depois de desidratadas e tratadas, as flores precisam ser armazenadas longe do excesso de luz e em condições adequadas de ventilação. Bem cuidadas, segundo Eleticia, podem permanecer por anos.

A durabilidade também abre diferentes possibilidades na decoração. Flores e folhagens desidratadas aparecem em arranjos para casas, lojas e vitrines, mas também em eventos e casamentos. Por continuarem sendo elementos naturais, mesmo depois da transformação, conservam texturas e formas que aproximam os ambientes da natureza.

A estética encontra espaço especialmente em propostas que valorizam materiais naturais, como o estilo boho, marcado pela mistura de texturas, tons terrosos e elementos de aparência artesanal.

Mas algumas flores chegam às mãos de Eleticia carregando algo que vai além da função decorativa.

É o caso dos buquês de noiva. Depois da cerimônia, flores que acompanhariam naturalmente o ciclo do tempo podem passar pelo processo de desidratação e ser preservadas como lembrança daquele momento. Nesse caso, a técnica deixa de prolongar apenas a forma da flor: ajuda também a conservar uma memória.

“Para mim, trabalhar com flores desidratadas é transformar algo que seria passageiro em uma peça que pode permanecer por muitos anos, preservando não apenas a beleza das flores, mas também as memórias e os sentimentos associados a ela”, destaca a florista.

Entre novas cores, texturas e formas, as flores seguem contando histórias mesmo após o fim da sua estação. Elas não permanecem porque resistem ao tempo, mas porque se transformam com ele.

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