
Mais de mil produtoras se reúnem na Fazenda Capoeira Coffee
A cafeicultora Marisa Contreras reuniu na sua fazenda, Capoeira Coffee, em Areado/MG, mais de mil mulheres no dia 20/09, no 10º Encontro Mulheres do Café. O evento, que teve como propósito celebrar a força e a determinação da mulher na cafeicultura, contou com os seguintes palestrantes: os presidentes da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo; da Minassul, José Marcos; da Coopercitrus, Fernando Degobbi; da Syngenta, André Savino; Antônio Carrere, da John Deere, e os representantes Luciana Martins da MPrado Consultoria; Mariana Castanho, da Corteva Agriscience; Júnior Borneli, Ceo da Startase, e Kalamed Losque Freitas, gerente do Banco do Brasil. Participaram da abertura o prefeito de Areado e o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio Pitangui de Salvo.
Presidentes de sindicatos rurais, lideranças do agronegócio e autoridades também estiveram presentes. Entre elas, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos Júnior, representando o ministro da Agricultura e Pecuária de Abastecimento (Mapa), Carlos Fávaro. “A participação da mulher no campo é um movimento irreversível. Homens e mulheres trabalhando juntos têm elevado a qualidade e o valor do nosso café, que é o melhor do mundo”, afirmou Guilherme.

A idealizadora do movimento, Marisa Contreras, destacou a força do grupo de produtoras, conquistado ano após ano. “Este encontro é uma vitória construída, um caminho percorrido, que fez de nós, mulheres, maiores e melhores. Trouxemos voz e visibilidade à mulher na cadeia produtiva do café e isso é fenomenal. A força que transforma essas mulheres é o exemplo, porque uma mulher quando vê a outra diz: ‘eu também posso’. É uma força que transforma vidas”, frisou.
Marisa Contreras
Comemorando uma década
O evento, que foi iniciado com 17 mulheres há 10 anos, mostrou a que veio com o público reunido nos dois últimos anos. O encontro de 2024 foi também comemorativo por completar uma década com a missão de levar mais conhecimento para as produtoras rurais, compartilhar experiências, fortalecer laços e celebrar o papel essencial das mulheres no universo do café. Entre os palestrantes é unanimidade que o encontro passa a ser um movimento, pela quantidade de produtoras rurais que reúne com público crescente.
A gerente do FAEMG Mulher, Silvana Novais, destaca que a ação proposta por Marisa não é um evento, mas um movimento, um exemplo. “Nós estávamos recordando como tudo começou, com poucas mulheres e, hoje, se tornou esse movimento gigante com diversas empresas, cooperativas de produção, três entidades financeiras, tudo em plena conexão no mesmo espaço. O mais importante desse encontro, que verdadeiramente é um movimento de mulheres, é a oportunidade de conversar. Nós temos que ter o olhar desse crescimento, de ver que juntas podemos fazer algo diferente. E isso só acontece quando enxergamos o coletivo, como outros que tem acontecido no Estado. Como representante do Sistema Faemg Senar, gerenciando o setor da mulher, do jovem e da inovação, iniciamos incentivando as mulheres em 2022 com 13 encontros de mulheres; o ano passado foram 32 e este ano já foram 55. Então, acho que nós mulheres temos que participar, para crescermos e ocupar nosso espaço. Para termos representatividade precisamos sair do nosso lugar e crescer em conjunto”, pontuou.
Silvana Novais, gerente do FAEMG Mulher
Depoimentos
A produtora de Carmo do Rio Claro, Fernanda Vieira, que participou das últimas quatro edições do encontro, destaca a força do evento, das produtoras do Sudoeste de Minas, afirmando que o movimento vai triplicar: “Esta é a quarta edição da qual participo e acho importante para conhecer pessoas e buscar conhecimento. Se ficamos no nosso mundinho, não pensarmos em crescimento, em conhecimento, ficaremos estagnados. Atualizar é importante, conhecer tecnologias, novas leveduras, o que vou precisar logo à frente, e acompanhar o movimento das mulheres na nossa região”.

A produtora Fernanda Vieira, a professora Agda Costa e Marisa Contreras
“Este movimento que a Marisa começou com 17 mulheres mostra esta revolução do agro. Eu comecei no agro há 20 anos e a gente só tinha plateia de homens, não tinha plateia de mulheres. Há 10 anos tudo começou a mudar e isso só foi possível por causa de pessoas como Marisa, que deram o primeiro passo, que decidiram fazer a diferença na vida de outras mulheres”, disse Luciana Martins da MPrado Consultoria.
“Eu conheci a Marisa há alguns anos com esse movimento de envolver a mulher. A Marisa se capacitou. A minha admiração por ela começou pelo interesse dela em se capacitar e, além de se capacitar, queria expandir, distribuir conhecimento e começou com um encontro. Marisa é empreendedora, mas ela tem um coração disposto a fazer com excelência e eu como consumidora e como professora fico feliz por ela distribuir conhecimento. Como consumidora, fico feliz que tem um agronegócio querendo fazer o melhor para o consumidor, para termos uma vida mais sustentável, mais saudável”, ressaltou Rosane Freitas Schwan, pesquisadora na UFLA.

A pesquisadora da UFLA Rosane Freitas Schwan
“Chegar aos 10 anos é a realização de um sonho e a Marisa sonhou grande. Nove anos atrás, ela me conheceu em Belo Horizonte e disse que queria reunir produtoras que eram desunidas na sua região. Eu perguntei quantas seriam e ela disse 17, com um sorriso gigante. Quando chegamos à fazenda eram 30, no outro ano 50, 150 e depois 300, 500 e, hoje, 1000. Passou a ser um movimento sem volta. As mulheres quando se unem com o mesmo propósito não tem volta. Eu vejo o resultado com o coração cheio de alegria porque a gente não desistiu de um sonho grande, um sonho de transformar cada uma dessas mulheres em agroempresárias, em ter domínio das suas ferramentas, em como negociar, a beber o seu café, aprender sobre tendência de mercado, sobre a autoestima. Eu trago um pouco disso: se eu consegui, você também consegue”, observou Gelma Franco, barista e empresária.




