
O casamento na Capelinha do Mandembo
*Áudio gerado por inteligência artificial
Um encontro de amores. Foi assim que enxerguei o casamento do Cesar Lemos e da Lucia, depois de 41 anos caminhando juntos entre cafezais e montanhas no bairro rural do Mandembo, zona rural de Carmo do Rio Claro\MG.
O casamento aconteceu na pequena Igreja de São José, cercada pelo silêncio da roça e pelas memórias de uma vida inteira construída ali, naquela altitude de mais de mil metros onde a família aprendeu a cultivar café, amizade e tradição.
O dia de outono foi agraciado com aquele calorzinho que aquece os corações e o céu limpo emoldurava toda a cena: a igrejinha, a estrutura para os convidados e a tradicional pracinha. A data era o complementar da cena: primeiro de maio, Dia do Trabalhador e de São José Operário, como se a data também tivesse escolhido participar da celebração.


O sonho
Depois de 41 anos juntos, Lucia realizava um sonho antigo: casar na igreja. Que agora se somava a outro novo sonho: ser ministra da Eucaristia, como boa católica que é. Para viver esse novo caminho na fé, o casamento na igreja se tornou parte do sonho. Assim, reuniram a sua grande família formada também por amigos de décadas, que acompanharam a história do casal.
Lúcia atravessou a cerimônia com um sorriso difícil de esconder. Havia nela a alegria de quem esperou muito tempo por aquele instante. E a festa ganhou proporções de encontro antigo do interior: mais de 500 pessoas reunidas por uma ideia do César, reflexo do coração grande e festeiro que carrega.
A capelinha de São José ficou pequena para receber tantos convidados e parte deles acompanhou do lado de fora da igreja, devidamente preparada para esta acolhida. E a noiva, que entrou levada pelos dois filhos do casal-, Jennys Honorato e Jorge Lemos, ainda cantou na cerimônia “O amor é mais”, eternizada na voz de Roberto Carlos. Aquela música que marcou a trajetória do casal.
Família
A história dos dois também floresceu nos filhos: Jennys Honorato e Jorge Lemos. Durante a cerimônia, a emoção dos dois aparecia nos pequenos gestos — no olhar atento, nos abraços demorados e na forma como acompanhavam cada instante daquele sonho antigo da mãe. No altar estava também a mãe de César. Já limitada pela idade e pela doença, acompanhou a cerimônia em sua cadeira de rodas, silenciosa, observando tudo com os olhos de quem também fazia parte daquele sonho.
Tradição
E para marcar esse momento tão especial não poderia faltar a tradição dos casamentos realizados há algumas décadas, em tempos em que as lembranças sobreviviam menos nas fotografias e mais na memória das pessoas.
A união ali fez a diferença. O Sebastião, o Tião Nara, que é irmão gêmeo do César, e que há 15 anos tem um buffet, organizou os trabalhos junto com irmãos, sobrinhos, cunhados e cada um doou o seu pouquinho para organizar a festa: aquele tradicional churrasco de casamento. A mesa refletia o trabalho da família inteira. Pão de queijo, feijão tropeiro, mandioca cozida, churrasco de boi e de porco. Nos tachos de cobre doces de abóbora, mamão e figo dividiam espaço com queijo fresco mineiro. Comida feita em mutirão como nas antigas festas do interior.
O grande encontro
Naquele primeiro de maio, o tempo desacelerou. Entre abraços demorados, copos erguidos, boa música, conversas e danças atravessando a tarde e entrando pela noite, a vida parecia simples outra vez. Como nos antigos casamentos do interior, ninguém tinha pressa de ir embora.













Amei um conto de fadas. Parabéns.