
A voz das produtoras rurais para o mundo
O Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA), realizado nos dias 23 e 24 de outubro, no Transamérica Expo Center, em São Paulo (SP), encerrou sua 9ª edição, que teve como tema ‘Mulher Agro Brasileira: Voz para o Mundo’, alcançando a marca de mais de 3.000 congressistas de todos os estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal. Esse número posiciona o CNMA como o maior congresso global dedicado às mulheres do agronegócio, que este ano contou com a participação de 53 empresas patrocinadoras e expositoras e 86 palestrantes abordando temas como mercado, negócios, protagonismo feminino, inovação, sustentabilidade, empreendedorismo, entre outros.
Segundo a gerente de Desenvolvimento e Novos Negócios do Transamérica Expo Center e responsável pela organização do CNMA, Renata Camargo, esta edição reforçou o poder que a voz feminina possui em todos os setores e mostrou como é possível repercuti-la para o mundo.

Para o curador de conteúdo do CNMA, José Luiz Tejon, o Brasil precisa dialogar mais com o mundo e as mulheres são as emissoras fundamentais para isso. “As mulheres do agro brasileiro têm que falar com o mundo por meio de sua empatia para conseguirem chegar ao cérebro através do coração”, destacou.
A produtora, Renata Salatini, que foi embaixadora do evento em 2022 e 2023, destaca o quanto o Congresso foi importante e o quanto desfrutou da programação. “A cada ano eles implementam conteúdos que impactam nas atividades das produtoras. Conteúdos motivacionais, que no meu ponto de vista agregou demais ao evento”. Ela também destacou as inovações desta edição como a Casa Mulher do Agro e o reality show Prato Brasil. “O Congresso oferece atividade para todos os gostos, cada um escolhe a sua busca no evento. A conexão e o networking foram muito importantes”.

Renata Salatini, embaixadora do evento em 2022 e 2023
A produtora Sirlei Renata Sanfelice de Carvalho destacou que as mulheres precisam de um evento que não as diferencie em gênero, mas que as vejam como iguais. “Os próximos eventos podem ficar ainda melhores. A importância da participação no CNMA foram as palestras, onde tive a oportunidade de ver casos que são exatamente o que vivenciamos. Foi uma oportunidade de troca de experiências em todas as cadeias produtivas. E ver a importância para a economia brasileira, assim como a cafeicultura, a agricultura dá pernas para nosso país seguir, diante dos desafios econômicos enfrentados. Enquanto isso vamos driblando as dificuldades climáticas, fiscais, tendo nossas margens de lucro reduzidas, mas seguimos em frente”.
Participação das mulheres no comércio internacional

A diretora da Apex Brasil, Ana Repezza trouxe à tona a importância de aumentar a participação das mulheres no comércio internacional, destacando o papel fundamental da ciência e da promoção para o avanço do País. Ela ressaltou a necessidade de expor o que o Brasil é capaz de realizar e, mais especificamente, de incentivar as mulheres a se engajarem no mercado externo.
Ana destacou o programa “Mulheres e Negócios Internacionais”, iniciativa que visa capacitar e apoiar mulheres empreendedoras que desejam exportar ou ampliar seus mercados. Lançado em março de 2023, o programa já rendeu frutos e, recentemente, foi premiado pelo International Trade Center (ITC) – órgão vinculado à ONU e à OMC – pela sua abordagem de comércio inclusivo. A iniciativa busca corrigir a disparidade de gênero no setor exportador, no qual apenas 14% das empresas exportadoras brasileiras são lideradas por mulheres. No agronegócio, o número sobe para 16%, mas ainda está longe de ser ideal.
Para enfrentar esse desafio, a Apex Brasil adotou algumas medidas. Internamente, implementou uma política de equidade de gênero, garantindo que 50% dos cargos de liderança sejam ocupados por mulheres. Externamente, o programa “Elas Exportam”, parte do Mulheres e Negócios Internacionais, oferece mentoria para mulheres que estão começando a exportar ou que buscam aprimorar suas competências, tanto técnicas quanto socioemocionais.
A chefe da Coordenação-Geral de Gestão dos Adidos Agrícolas, Carolina Aquino de Sá, apontou o papel estratégico das representações internacionais para o agronegócio brasileiro e enfatizou a liderança feminina nesse projeto tão importante para o Brasil. “As adidâncias agrícolas são fundamentais para a defesa dos interesses brasileiros no exterior. Os adidos agrícolas passam por rigorosos processos seletivos, sendo servidores do Ministério da Agricultura e Pecuária com experiência no setor, fluência em idiomas e conhecimento técnico especializado”, detalhou.
Atualmente, o Brasil conta com 29 adidos posicionados em 27 países, atuando tanto em negociações bilaterais, especialmente no âmbito fitossanitário, quanto em fóruns multilaterais como a OMC, FAO e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Pela primeira vez, 32,5% dessas posições são ocupadas por mulheres, o que representa um marco importante na igualdade de gênero no setor.
Essas adidâncias não se limitam à diplomacia comercial, mas desempenham também um papel político de destaque na representação do agronegócio brasileiro no exterior. “Recentemente, oito adidas brasileiras foram reconhecidas pela Forbes como algumas das mulheres que estão levando o agro brasileiro ao mundo, ecoando a potência do setor globalmente”, frisou Carolina.

*Com informações da Attuale Comunicação


